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CÓRNEA

A córnea é a superfície transparente, em forma de cúpula do olho que é responsável por uma grande parte do poder de focagem. A córnea transparente saudável é essencial para uma boa visão. Se esta se encontrar lesada devido a doença ocular ou lesão no olho, pode ficar edemaciada, com cicatrizes ou severamente deformada e, desta forma, distorcer a visão.

Imagem mostrando as partes do olho humano.

O que é transplante de córnea?

O transplante de córnea é um procedimento cirúrgico no qual a córnea doente ou danificada é substituída por outra córnea de um dador, na sua totalidade (ceratoplastia penetrante) ou parte dela (ceratoplastia lamelar).

Como funciona?

No transplante de córnea, o enxerto é retirado de um indivíduo recentemente falecido, sem doenças conhecidas ou outros fatores que possam afetar a viabilidade do mesmo ou a saúde do receptor.

Após retirado o enxerto, este é posteriormente transplantado cirurgicamente no indivíduo receptor. Dependendo da patologia subjacente e de determinadas condições, podemos utilizar diferentes tipos de transplante.

Tipos de Transplante de Córnea:

Podemos identificar dois tipos de transplante de córnea, de acordo com o número de camadas transplantadas. A córnea contém cinco camadas, no entanto, em caso de transplante nem sempre é necessário transplantar todas as camadas.

Se todas elas forem transplantadas, dizemos que o transplante é penetrante, por sua vez, se apenas parte das camadas forem transplantadas dizemos que se trata de um transplante lamelar.

Mediante a patologia e de acordo com algumas situações o médico especialista em córnea, opta por efetuar o tipo de transplante mais adequado ao doente.

Transplante de Córnea Penetrante
O transplante de córnea penetrante envolve o transplante de todas as camadas da córnea do dador. Neste tipo de transplante a rejeição do enxerto é mais elevada do que nos enxertos lamelares e o tempo de recuperação e os erros refrativos são consideravelmente superiores.
Pelos motivos apontados, normalmente, este tipo de transplante é utilizado apenas nos casos em que o transplante lamelar não é de todo possível.
Transplante de Córnea Lamelar
No transplante de córnea lamelar, o cirurgião substitui apenas algumas das camadas da córnea.
No transplante lamelar de córnea, as camadas são selecionadas e transplantadas, o que pode incluir a camada mais profunda (posterior), o chamado endotélio (transplante de córnea lamelar posterior). Uma versão comumente realizada desse procedimento é o de Descemet Stripping Automated endotelial Keratoplasty (DSAEK). Se, por outro lado, o transplante incluir as camadas mais próximas da superfície (anterior), então designamo-lo por transplante de córnea lamelar anterior.
Habitualmente, o transplante lamelar é mais adequado do que o transplante penetrante completo quando o processo de doença se limita apenas a uma porção da córnea.

Quais os riscos?

Os riscos e complicações na cirurgia de transplante de córnea são semelhantes aos de outros procedimentos intra-oculares. Pode haver descolamento ou deslocamento dos transplantes lamelares. Na cirurgia de córnea existem também riscos de infeção. Esse riscos são minimizados através de profilaxia antibiótica (usando colírios antibióticos, mesmo quando não existe infeção).

Nesta cirurgia, os riscos não se ficam por aqui, podendo ocorrer outras complicações graves, nomeadamente, descolamento da retina, hemorragia da coróide, infeção endocular (endoftalmite),cataratas secundárias, glaucoma secundário, sinéquias da íris, irregularidade pupilar, edema macular cistóide, etc.

Um dos riscos frequentes é a rejeição da córnea.

Rejeição da córnea:

Após o transplante da córnea, em alguns casos, o sistema imunológico pode atacar a córnea. Esta situação é chamada de rejeição e pode necessitar de tratamento médico ou de outro transplante de córnea para resolver o problema. Sinais e sintomas de rejeição de córnea, podem incluir:

• Perda da visão;

• Dor nos olhos;

• Olhos vermelhos;

• Sensibilidade à luz (fotofobia);

O transplante de córnea é uma cirurgia realizada rotineiramente e possui uma alta taxa de sucesso. Na verdade, os enxertos de córnea são os mais bem sucedidos de todos os transplantes de tecidos. Contudo, como vimos existe sempre o risco de rejeição da córnea. O risco de rejeição no transplante de córnea ocorre em cerca de 20% dos casos.

Cuidados no pós operatório:

Na cirurgia de transplante de córnea, existem alguns cuidados no pós operatório que devem ser assegurados, de forma a minimizar possíveis riscos. No pós transplante, deve ser efetuado tratamento médico adequado, nomeadamente:

• Medicamentos prescritos pelo oftalmologista, como colírios e, ocasionalmente, medicamentos orais imediatamente após o transplante de córnea, durante o período de recuperação, de forma a controlar a infeção, edema e dor.

• Usar um oclusor e repouso. O oclusor protege o olho após a cirurgia. Após o transplante de córnea, deve-se retomar o trabalho lentamente até poder realizar as suas atividades normais, incluindo o exercício físico. Deverá ao longo da vida tomar precauções extras para não prejudicar o olho. No transplante de córnea o tempo de repouso é variável consoante a patologia subjacente. Tipicamente, o repouso deve ser mantido durante um mês aproximadamente (4 semanas).

• Após a cirurgia, devem realizar-se exames oftalmológicos de rotina, visando detetar complicações no primeiro ano após o transplante.

ARTIGO DR. RICHARD YUDI HIDA:
Social aspects of corneal transplantation in Brazil: contrast between advances in surgical technique and limiting access to the population (Aspectos sociais do transplante de córnea no Brasil: contraste entre avanços na técnica cirúrgica e limitação de acesso à população)